Você comprou uma caixa no mercado, ou um My/Mochi do freezer do supermercado, mordeu a casca fresca e mastigável até chegar no sorvete gelado, e uma pequena dúvida surgiu: isso é japonês de verdade, ou alguém inventou nos EUA? É uma boa pergunta, e a resposta honesta é as duas coisas — de um jeito preciso e datável. O mochi ice cream é japonês de nascimento, mas o que está na prateleira de um supermercado americano é o produto de uma segunda história que aconteceu em Los Angeles. Veja como as duas se encaixam.

As raízes: é um daifuku congelado

Comece pela parte que é inequivocamente japonesa. Muito antes de qualquer freezer entrar na jogada, existia o daifuku (大福) — uma bolinha de mochi macio envolvendo um recheio doce, classicamente o anko, pasta adocicada de feijão vermelho. Essa estrutura de casca-macia-em-volta-de-um-centro-macio tem séculos. O mochi ice cream é exatamente essa ideia com uma única substituição: tire a pasta de feijão, ponha uma bola de sorvete. O conceito — mochi envolvendo um recheio — é wagashi tradicional. Só o centro gelado é novo.

Então quando alguém diz que o mochi ice cream "não é comida japonesa de verdade", está metade certo e metade errado. A forma de capa-e-recheio é real e antiga; o recheio congelado é uma ideia moderna. E essa ideia moderna, acontece, também era japonesa.

Capítulo um: a Lotte o inventa no Japão, 1981

A versão com sorvete foi inventada não por um artesão, mas por um conglomerado alimentício. A Lotte lançou o Yukimi Daifuku (雪見だいふく, "daifuku de contemplar a neve") no Japão em outubro de 1981 — o primeiro mochi ice cream feito domesticamente no país. O que a maioria não sabe é o que veio antes dele: em 1980 a Lotte vendia o Watabōshi, um sorvete em tamanho de mordida envolto não em mochi, mas em marshmallow. O marshmallow perdeu. O mochi era mais popular no Japão — mas só venceu quando a Lotte resolveu um problema de engenharia genuinamente difícil.

Esse problema é aquele que todo cozinheiro caseiro enfrenta: o mochi endurece quando está gelado. O mochi puro socado murcha em um dia e fica quebradiço na geladeira, quanto mais no congelador. A Lotte passou até 1981 aperfeiçoando um jeito de manter o mochi macio na temperatura de congelamento, e a solução é a chave de todo o produto. A capa do mochi ice cream não é bolo de arroz socado de jeito nenhum — é uma massa estilo gyūhi feita de farinha de arroz glutinoso cozida com açúcar, e o açúcar age como um umectante que retém a umidade, para que a casca fique maleável abaixo de zero. (Segundo relatos, uma farinha fina chamada habutae-ko, em pequenas fornadas para preservar a elasticidade.) É o mesmo truque que deixa um daifuku macio continuar macio por dias: a maioria dos doces de "mochi" é cozida a partir de farinha de arroz, e não socada. A Lotte chegou a vender o Yukimi Daifuku como um sorvete para comer dentro de casa, num cômodo aquecido, no inverno — invertendo o hábito de sorvete-só-no-verão agora que os lares japoneses tinham aquecimento.

Capítulo dois: Frances Hashimoto o leva à América, 1993

O mochi ice cream de um supermercado americano vem de uma origem separada, cerca de uma década depois — e é uma história melhor do que a marca sugere. A Mikawaya era uma loja de doces japoneses fundada em 1910 em Little Tokyo, Los Angeles. Por volta de 1970 ela era tocada por Frances Hashimoto, uma nipo-americana que havia nascido no campo de internamento de Poston durante a Segunda Guerra Mundial, se formou na USC e deu aula para o terceiro ano antes de assumir o negócio da família aos 27 anos.

No início dos anos 1990 seu marido, Joel Friedman, teve a ideia de revestir bolas de sorvete numa fina casca de mochi doce. Hashimoto transformou a ideia em produto, apresentando o mochi ice cream aos consumidores americanos por volta de 1993 e fazendo um teste de mercado em Honolulu em 1994 com sabores como morango, manga, baunilha, chá-verde e café. Foi um sucesso imediato — segundo relatos, tomando cerca de 15% do mercado de sobremesas geladas novidade nos seus primeiros quatro meses — e se espalhou para Trader Joe's, Whole Foods, Ralphs, Safeway e além. (A marca posterior de massa da Mikawaya é a My/Mochi.) Hashimoto não era só uma empreendedora de sobremesas; ela liderou a Associação Comercial de Little Tokyo de 1994 a 2008. Morreu de câncer de pulmão em 2012.

Vale manter duas ressalvas em ordem. A Lotte, não a Mikawaya, fez o primeiro mochi recheado com sorvete — então chamar Hashimoto de "a inventora" achata demais um intervalo de dez anos e um oceano. E dentro da Mikawaya, Joel Friedman é creditado com a ideia e Frances Hashimoto com realizá-la e defendê-la. A descrição mais justa: a Lotte o inventou no Japão; Hashimoto o tornou americano.

Então — é japonês?

Sim, com um asterisco que agora você vai apreciar. A linhagem é japonesa (daifuku). A invenção é japonesa (Lotte, 1981). E a forma de supermercado que você comprou foi moldada por uma nipo-americana que a escalou em Los Angeles (Mikawaya, 1993). Nada nele é um doce "tradicional" falso, e nada nele é uma cópia puramente americana. Ele é de nascimento japonês, depois refeito e espalhado pela diáspora japonesa — duas origens paralelas que se encontram no seu freezer.

Se a versão gelada te fisgou, o original em temperatura ambiente está bem ao lado. Um daifuku de verdade — aquela mesma casca de mochi macio em volta de anko em vez de sorvete — é onde essa coisa toda começou, e é uma parada num mapa de wagashi muito maior.