A louça japonesa feita à mão se comporta de forma diferente de uma caneca de porcelana produzida em massa. Uma xícara de Bizen sem esmalte, uma tigela de chá de Hagi finamente craquelada e um prato de Kutani pintado a ouro pedem, cada um, um manejo ligeiramente diferente — e alguns hábitos que servem a uma vão discretamente danificar outra. Nada disso é terreno de objeto-de-museu-frágil; só ajuda saber o que você está segurando antes da primeira lavagem. A única pergunta que resolve a maioria das decisões de cuidado abaixo é se sua peça é porosa ou vitrificada.
Primeiro: é porosa ou vitrificada?
Essa diferença se resume à temperatura de queima. A cerâmica de barro e o grês de baixa queima — Hagi, boa parte da louça mingei, a Bizen de argila crua — são queimados por volta de 1.000–1.200°C, nunca fecham os poros por completo e podem absorver bem mais de 10% do próprio peso em água. A porcelana (Arita, Kutani) e o grês de alta queima chegam a cerca de 1.200–1.300°C, temperatura em que a argila vitrifica — a sílica e o feldspato se fundem num vidro e selam o corpo — e a absorção de água cai abaixo de 2%, muitas vezes abaixo de 0,5%.
Em geral dá para dizer com a mão. Vire a peça e sinta o pé sem esmalte: se a argila exposta for áspera, fosca e levemente sedenta quando você a molha, o corpo é poroso e precisa dos cuidados das próximas duas seções. Se o pé for liso, denso e ressoar ao ser batido, é vitrificado e bem mais tolerante.
O craquelê (kannyū) é um recurso, não uma rachadura
A primeira coisa que assusta os novos donos é o craquelê — uma fina teia de fissuras capilares pelo esmalte, chamada kannyū (貫入) em japonês. Isso não é dano. Quando uma peça esfria após a queima, o esmalte e o corpo de argila encolhem em ritmos ligeiramente diferentes; onde o esmalte tem a maior expansão térmica, ele se contrai mais do que o corpo por baixo e alivia a tensão fissurando. Nas oficinas ocidentais, esse descompasso foi por muito tempo tratado como defeito, mas no Japão ele é frequentemente ajustado de propósito e valorizado.
Na cerâmica de Hagi ele se torna todo o apelo. O corpo poroso e o esmalte craquelado deixam o chá penetrar pelas fissuras ao longo dos anos, deslocando lentamente uma tigela pálida em direção ao âmbar — uma mudança que os japoneses chamam de Hagi no nanabake (萩の七化け), as "sete transformações". O sete é figurativo, um modo poético de dizer "muitas"; as pessoas do chá simplesmente observavam uma tigela branca amadurecer com o uso e deram um nome ao processo.
A consequência prática: peças craqueladas e porosas vão manchar com o uso, absorvendo chá, café, molho de soja e óleos. Numa tigela de chá de Hagi, esse é o ponto. Numa peça em que você prefere evitá-lo, enxágue logo e não deixe líquidos escuros parados dentro. De todo modo, as fissuras em si são sólidas.
Sele peças porosas antes do primeiro uso (medome)
Como esse corpo poroso bebe líquido, uma peça sem tratamento pode vazar, manchar ou pegar um cheiro de mofo. O remédio tradicional é o medome (目止め), literalmente "fechar os poros", feito uma vez antes de você começar a usar uma peça nova. O amido da água se assenta na argila aberta e a sela.
Um método comum:
- Ponha a peça numa panela com a água turva que sobra ao lavar o arroz (togijiru) — ou água pura com uma colher de farinha ou amido dissolvida.
- Leve a uma fervura branda, não a uma fervura vigorosa, por 15 a 30 minutos. Comece com a peça em água fria e aqueça as duas juntas; jogar cerâmica fria em água fervendo convida a rachaduras por choque térmico.
- Desligue o fogo e deixe tudo esfriar com a peça ainda na água.
- Enxágue e seque bem.
Só a cerâmica genuinamente porosa precisa disso. A porcelana vitrificada (a maioria das Arita e Kutani) e o grês esmaltado de alta queima não têm poros abertos a fechar, então você pode dispensá-lo. Se uma peça porosa voltar a absorver água depois de meses de uso, basta repetir a selagem.
Lavando e secando
- Prefira lavar à mão. Uma esponja macia e detergente suave são o mais seguro para peças feitas à mão e decoradas. Evite esponjas abrasivas e saponáceos, que arranham o esmalte e desgastam a decoração pintada ou dourada.
- Não deixe peças sem esmalte ou porosas de molho por muito tempo. Bizen, superfícies de argila crua e cerâmica de barro vão beber água e detergente, o que pode deixar odores. Lave, enxágue e siga em frente.
- Seque por completo antes de guardar. É a etapa que as pessoas pulam, e é a que causa mofo e cheiro de mofo na cerâmica porosa. Deixe as peças secarem ao ar por completo — algumas horas de cabeça para baixo num escorredor — antes de guardá-las. Se uma peça absorveu umidade, deixe-a de fora por um dia.
- Dispense a máquina de lavar louça para qualquer coisa especial. O calor, os jatos de alta pressão e o detergente agressivo maltratam o esmalte, desbotam os esmaltes sobre vidrado e removem o ouro e a prata. A porcelana esmaltada do dia a dia costuma tolerar; peças feitas à mão, douradas ou sem esmalte devem ser lavadas à mão.
As regras do micro-ondas e do forno
É aqui que ocorre o dano de verdade, então vale ser rigoroso:
- Nunca leve ao micro-ondas nada com decoração em ouro ou prata. O esmalte metálico sobre vidrado — comum no Kutani e em peças com borda dourada (kinrande) — vai faiscar e chamuscar instantaneamente. A peça pode ser arruinada e o metal enegrecido em segundos.
- Tenha cautela com peças sem esmalte e de baixa queima no micro-ondas. Bizen e cerâmica de barro porosas podem absorver umidade e aquecer de forma desigual, ficando perigosamente quentes ou, no pior caso, rachando. Se você não sabe como uma peça vai se comportar, mantenha-a de fora.
- A porcelana esmaltada simples costuma ser segura no micro-ondas, mas confira o pé: se a argila sem esmalte ali parecer áspera e absorvente, trate a peça como porosa.
- Evite mudanças bruscas de temperatura. Não despeje água fervendo numa tigela fina e fria nem leve uma peça do freezer a um forno quente. O choque térmico racha cerâmica seja qual for a origem.
Convivendo com a pátina
A mesma porosidade que exige cuidado é o que torna essas peças valiosas de se ter: o uso deve deixar marca. Uma xícara de Bizen escurece e ganha um brilho suave ao absorver óleos das suas mãos e da mesa; uma tigela de Hagi muda de cor através do seu craquelê ao longo dos anos. Os donos japoneses falam de sodateru — "criar" ou fazer crescer um vaso, do jeito que as sete transformações são algo que se cultiva em vez de comprar pronto. Então a meta do bom cuidado não é manter uma peça com cara de recém-saída da fábrica. É mantê-la sólida — selada onde deve ser selada, seca para que não azede, longe do micro-ondas e da máquina de louça quando importa — e então usá-la com frequência suficiente para que ela se torne sua.